"Publicado em 29.01.2008
Gilson Edmar Gonçalves e Silva
A criação dos cursos médicos no Brasil estará completando 200 anos no dia 18 de fevereiro de 2008. Este fato se deu em 1808, logo após a chegada da família real portuguesa ao Brasil, no período da sua estada na Bahia. O médico da corte era José Correia Picanço, um pernambucano de Goiana, que convenceu d. João VI da necessidade de se fundar uma Faculdade de Medicina, no Real Hospital de Salvador, de imediato aprovado pelo príncipe regente. Assim, naquele ano deu-se início ao ensino médico no Brasil, motivo agora de grande celebração entre nós, por ter sido um pernambucano o seu criador.José Correia Picanço nasceu na vila, depois cidade de Goiana, no dia 10 de novembro de 1745. Desenvolveu a sua prática como cirurgião inicialmente em Pernambuco, no Recife, seguindo depois para Portugal a fim de aprimorar essa técnica. Necessitava, entretanto, ter o diploma de doutor em Medicina. Foi para a França com esse objetivo, concluindo os estudos na Faculdade de Medicina de Montpellier. Voltando a Portugal, foi nomeado professor de anatomia, operações cirúrgicas e artes obstétricas da Faculdade de Medicina de Coimbra. Foi também nomeado cirurgião-mor do Reino, sendo médico particular da rainha D. Maria I. Foi o primeiro professor de medicina a ensinar anatomia no cadáver humano, em Coimbra. Acompanhou a família real quando da sua vinda ao Brasil e criou a primeira Faculdade de Medicina do Brasil em 18 de fevereiro de 1808. No mesmo ano, após a chegada da corte ao Rio de Janeiro, criou a segunda faculdade de medicina. No Brasil, foi o primeiro médico a realizar uma cirurgia cesariana. Por todo o seu desempenho como médico e como professor, foi ungido por d. João VI com o título de Barão de Goiana.
Em homenagem a esse notável pernambucano e ao marco inicial da história do ensino médico no nosso País, as quatro escolas médicas de Pernambuco (UFPE, UPE, Univasf e Imip), juntamente com as entidades médicas (Conselho Regional de Medicina, Associação Médica, Sindicato dos Médicos, Academia Pernambucana de Medicina, Sobrames) se uniram para celebrar esse e outros fatos marcantes para a medicina, durante o ano de 2008. Está sendo elaborado um excelente programa. Começou em 18 de janeiro, data da comemoração dos 50 anos da inauguração do prédio da Faculdade de Medicina, que marcou o início das atividades da UFPE no câmpus da Cidade Universitária.No dia 18 de fevereiro, dia da criação da primeira faculdade de medicina, haverá uma solenidade com a participação de todas as instituições de ensino e todas as entidades médicas. O evento será na UFPE, escolhida por ter a mais antiga faculdade de medicina do Estado, com os seus 93 anos de existência. Ainda em fevereiro, no dia 28, a Faculdade de Ciências Médicas da UPE, por ocasião da comemoração dos seus 58 anos de fundação, incluirá tema relativo ao bicentenário do ensino médico. O Conselho Regional de Medicina também se associará às homenagens, na data da comemoração dos seus 50 anos de fundação, no dia 23 de março.A Academia Pernambucana de Medicina participará das homenagens organizando dois eventos: um no dia 20 de março e outro no dia 24 de julho, ambos no Memorial da Medicina. No mês de abril, será a vez da Associação Médica de Pernambuco, no dia 4, por ocasião dos seus 167 anos de fundação.Nos dias 11 e 12 de maio, ocorrerá um grande evento, o Seminário sobre Educação Médica, nos seus aspectos históricos e nas suas perspectivas futuras. Será no Centro de Convenções da UFPE, com a participação de todos, organizado pela Coordenação Regional do Nordeste da Associação Brasileira de Educação Médica. Será um dos momentos mais importantes das celebrações, quando será concedida a Medalha Correia Picanço aos grandes educadores médicos de Pernambuco.
No dia 21 de maio, o Congresso PE de Ginecologia e Obstetrícia prestará uma homenagem a Correia Picanço, também fundador dos cursos de obstetrícia no Brasil. Em junho, durante o aniversário do Imip, ocorrerá mais uma reunião comemorativa, com palestra, outorga da Medalha do Educador e programação cultural. A Univasf prepara algo em Petrolina, não tendo sido definido ainda o período. Terminam as comemorações, em Pernambuco, no dia 18 de outubro, Dia do Médico.Os detalhes de todas as programações serão divulgados oportunamente e serão editadas duas publicações. O mais importante de tudo é a oportunidade de fazermos uma reflexão sobre o ensino médico, no sentido de avançarmos nas discussões sobre o tipo do médico que queremos formar e como preparar essa formação.
» Gilson Edmar Gonçalves e Silva é vice-reitor da UFPE "
Tema de Debate:
Gente, são II séculos de ensino médico no Brasil e o atendimento do Sistema Único de Saúde(SUS) ainda é tão precário! O Brasil é um dos países que paga mais impostos, nossos médicos são respeitados por sua competência em todo o mundo, o brasileiro em geral é um povo muito trabalhador e dedicado...então, por que a nossa Saúde Pública não é de melhor qualidade? O que podemos fazer para melhorar? Como o médico pode se reunir aos outros profissionais da saúde para cobrar mais do governo? São 200 anos de orgulho, mas será que poderíamos nos orgulhar mais??
Lara Capiberibe, 1M de Medicina UPE
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
Bom, eu acho que se nós quisermos, muita coisa pode estar ao nosso alcance!Como estudantes de Medicina, devemos promover a toda a população a informação, o conhecimento, entre outras coisas, não esquecendo que é necessário lembrar que o que importa é a experiência, o contato, a alegria de fazer o bem e não somente ter o dinheiro como principal motivo!
Que os próximos 200 anos da Medicina Brasileira possam nos trazer mais alegrias e sucessos, principalmente se a gente se fizer parte deles!
Beijão!(comentem mais ¬¬)
Adorei a iniciativa Lara!
Acho que o fator decisivo para o bom funcionamento do SUS está no compromisso e no empenho dos profissionais de saúde envolvidos bem como na forma como eles interagem para resolver os problemas de ordem biológica e social do meio onde estão atuando. É certo que também há questões de ordem estrutural, organizacional e logística que impedem a prestação de um atendimento adequado ao contexto de cada indivíduo, mas também é preciso que cada integrante dessa equipe multiprofissional se disponha a dar o melhor de si para superar essas limitações. Além disso, é importante que cada um seja valorizado e respeitado pelas atividades que executa e participe das discussões e da tomada de decisões envolvidas na resolução dos problemas vivenciados.
Nós, futuros médicos conscientes do nosso papel social, somos capazes de promover uma melhora substancial dessa realidade! É preciso ousadia, coragem, determinação e, acima de tudo, união para que isso aconteça. Quem se dispõe a colaborar?
Cecília Lívia Martins
1M 2008.1
Postar um comentário