Bem pessoal, achei que seria interessante fazermos alguns comentários acerca do filme. É brilhante a forma como a poesia de João Cabral ganha vida naquelas cenas. O rio, simbolizado como um cão sem plumas, é invisível aos nossos olhos. Não nos damos conta de toda sua importância para nossa cidade nem de como o maltratamos durante todos esses séculos. Mas como o próprio poema diz, uma cão sem plumas é pior que um cão assassinado, pois ele devolve todo o mal que causamos a ele. Um trecho do poema explica bem essa questão: "um cão por baixo da camisa" (a metáfora é simplesmente genial). Imaginem a reação de um cão dentro de uma camisa. Ele arranha, morde, esperneia para se livrar e é assim que o rio nos pune: o fedor, as doenças, as inundações. O Capibaribe, cantado em tantos poemas, é o nosso Nilo, precisamos preservá-lo!
Wagner
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2 comentários:
Concordo com você, Wagner. “Recife de dentro pra fora” foi uma adaptação brilhante dessa obra tão instigante do João Cabral, “O cão sem plumas”. Um “cão” injuriado pelas mazelas do mundo, desprezado muitas vezes pelo olhar dos grandes, mas “fantasiado” pela visão dos ribeirinhos. Um “cão” que, mesmo imundo e quase morto pelas pragas da modernidade, consegue despertar em crianças a motivação para brincar e esquecer por um momento da sua infância roubada pela necessidade de ser mais um braço de sustentação em suas palafitas e seus barracos. Um “cão” em pele e osso que faz brotar vida das suas profundezas enfraquecidas para alimentar homens, mulheres e crianças sem plumas, cobertos com suas “majestosas” vestes de lama. Um rio-cão que tem papel de destaque na história da construção e desenvolvimento do Recife, desde os seus momentos de glória, quando abundava em fauna e flora, até os trágicos momentos que infelizmente observamos de poluição, descaso e assoreamento. Diante disso, temos duas opções: permanecer de braços cruzados, assistindo de camarote seu completo esgotamento ou unir nossas forças para a recuperação da beleza e da vitalidade do nosso rio. Escolhamos a segunda opção! É assumindo o compromisso de contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável que conseguiremos transformar o ambiente em que vivemos num cenário mais agradável, saudável e seguro para as futuras gerações.
Cecília Lívia Martins
1M 2008.1
pois é minha gente, esse filme foi importante pra mim, pq me fez olhar o rio Capibaribe,que é tão presente na minha vida afinal de contas eu devo a ele nada menos do que o meu sobrenome,por outros ângulos! ângulos que apesar de desde pequena ter passado pelo rio, eu nunca tinha parado para refletir! e também o lado belo e artístico com as músicas e os poemas!
também achei muito interessante o apanhado histórico, traçando a influência do rio no perfil atual do nosso povo e a incrível ligação da nossa cultura e crendices! é apaixonante ver como o rio nos dá tanto e tanto! e como tantas pessoas ainda hoje dependem dele para sobreviver! e cada um de nós da cidade do Recife nem que seja indiretamente, depende deste rio! uma coisa que observei e achei muito triste foi ver que na época em que foi produzido o filme, o rio já demonstrava sérios problemas, e hoje em dia esses problemas estão muito mais agravados, porque assim como continuamos fazendo, as pessoas da época taparam os olhos para a problemática... e infelizmente, me incluindo, eu não vejo atualmente um movimento forte em defesa não só do Capibaribe, mas também do Beberibe que é tão importante, um rio igualmente histórico, que divide Olinda e Recife! Sinto isso mais na pele pq estou trabalhando na comunidade de peixinhos que fica à margem do Beberibe, e lá nós vimos o descaso com o Rio bem de perto!o Rio está descaracterizado, nós não nos sentimos à beira de um Rio, o que deveria ser uma vista linda e agradável, é deprimente e preocupante! sérios problemas que esse rio tráz à população em época de chuva, fazendo até com que nós tenhamos uma certa mágoa com o rio, pq vimos crianças que moram na beira do rio e em época de chuva ficam sem casa e propensas a vários tipos de doença, ou seja aquele rio que seria maravilhoso, perdeu a sua identidade, quando penso nele hj, penso no lixo, na cheia, nas doenças, no transtorno... no sofrimento causado pela sua presença alí... mas, nem sempre foi assim! e é revoltando ver até que ponto chegamos com isso, será que vamos insistir em continuar destruindo nossa casa? as pessoas de hoje pagam pelo que foi feito no passado, mas mesmo assim não temos direito de deixar dívidas para as gerações futuras... e então como desatar esse nó? Sei lá, eu sei que é fácil pensar e falar e o difícil é fazer, e que todos nós cada um em seu mundinho particular, pensa que não tem tempo nem força para abraçar esse tipo de luta, mas na realidade nós podemos fazer um trabalho de formiguinha! à princípio como profissionais de saúde, levando em conta o respeito que as pessoas mais humildes têm pelo que falamos, podemos trasmitir-lhes a consciência ambiental, isso ao longo do tempo certamente fará diferença! essa é a minha proposta para nós no momento, pq é algo que está bem ao nosso alcance!!! =]
Lara Capiberibe
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